O panorama do emprego no Brasil iniciou 2026 com indícios promissores de transformação estrutural. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a taxa de informalidade no Brasil caiu para 37,5% no trimestre encerrado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Esse índice reflete cerca de 38,5 milhões de trabalhadores em situação informal e representa o menor patamar desde julho de 2020, indicando uma evolução gradual na qualidade das ocupações no país.
Além da diminuição da informalidade, outro dado relevante é que o rendimento médio real dos trabalhadores atingiu R$ 3.652, o valor mais elevado já registrado na série histórica da pesquisa.
Esses números sugerem uma recuperação mais equilibrada do mercado de trabalho, com avanço na formalização e crescimento de empreendimentos autônomos com registro empresarial.
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O que representa a queda da informalidade
A informalidade abrange trabalhadores que exercem atividades sem um vínculo formal ou proteção trabalhista. Nesse conjunto estão:
- trabalhadores sem carteira assinada
- trabalhadores domésticos não registrados
- autônomos sem CNPJ
- auxiliares familiares sem remuneração formal
Quando essa taxa diminui, significa que mais indivíduos estão ingressando em modalidades de trabalho com maior proteção e segurança.
Conforme o IBGE, a taxa de informalidade estava em uma trajetória de queda desde 2022, mas ganhou ímpeto a partir de 2023.
Para fins de comparação:
- novembro/2025 a janeiro/2026: 37,5%
- trimestre anterior: 37,8%
- mesmo período de 2025: 38,4%
Embora a diferença pareça sutil, representa milhões de trabalhadores transitando para ocupações mais estruturadas.
Por que a informalidade está em queda?
Especialistas identificam alguns fatores que contribuem para essa transformação no mercado de trabalho brasileiro.
Aumento do emprego formal
Um dos fatores principais foi o crescimento de empregos formais no setor privado.
De acordo com a Pnad Contínua, o total de trabalhadores com carteira assinada alcançou 39,4 milhões, excluindo os empregados domésticos.
Esse número permaneceu estável no trimestre, mas apresentou uma alta de 2,1% em comparação ao ano anterior, resultando em aproximadamente 800 mil novos vínculos formais.
Crescimento do trabalho autônomo com CNPJ
Outro fator relevante é o aumento de trabalhadores autônomos registrados.
O número de autônomos alcançou 26,2 milhões de pessoas, com um crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior, o que equivale a cerca de 927 mil novos profissionais nessa categoria.
Grande parte desse avanço é decorrente da formalização através do microempreendedor individual (MEI), que possibilita a emissão de nota fiscal e acesso a benefícios previdenciários.
Mudança no número de trabalhadores domésticos
A quantidade de trabalhadores domésticos também evidenciou uma mudança na estrutura.
O Brasil contabilizou 5,5 milhões de trabalhadores domésticos, com estabilidade no trimestre, mas com uma queda de 4,5% no acumulado anual.
Essa diminuição também impacta a taxa geral de informalidade, uma vez que esse segmento historicamente possui um elevado índice de vínculos sem registro.
Rendimento médio do trabalhador atinge recorde
Um destaque adicional da pesquisa é o aumento da renda média dos brasileiros.
Segundo o IBGE, o rendimento real habitual de todos os empregos atingiu R$ 3.652, o maior valor já registrado na história dessa pesquisa.
A alta foi de:
- 2,8% no trimestre
- 5,4% na comparação anual
Esse aumento está diretamente relacionado à melhora na estrutura do mercado de trabalho, com uma maior participação de empregos formais e atividades mais qualificadas.
Empregos formais geralmente oferecem salários mais altos, benefícios e maior estabilidade, o que contribui para elevar a média de rendimento nacional.
Setores que mais geraram empregos
A Pnad Contínua também revela que alguns setores se destacaram na criação de empregos durante o período.
Setores de informação, comunicação e serviços profissionais
O grupo envolvendo atividades de tecnologia, comunicação e serviços profissionais teve um crescimento de 2,8% na ocupação, correspondente a cerca de 365 mil novos trabalhadores.
Esse crescimento reflete a evolução das áreas ligadas à economia digital e serviços especializados.
Outros serviços
Outro setor em destaque foi o de outros serviços, que registrou um aumento de 3,5% na ocupação, com um incremento de aproximadamente 185 mil trabalhadores.
Esse grupo abrange atividades como serviços pessoais, manutenção e outros serviços de suporte à economia urbana.
Administração pública, educação e saúde
Em comparação ao mesmo período do ano anterior, também houve expansão em setores como:
- administração pública
- educação
- saúde
- serviços sociais
Essas áreas têm alta presença de empregos formais e contribuíram para a elevação da qualidade geral do mercado de trabalho.
Setores que perderam postos de trabalho
Nem todos os segmentos apresentaram crescimento.
A indústria geral observou uma queda de 2,3% no total de ocupados, o que representa aproximadamente 305 mil vagas a menos no trimestre.
Esse fenômeno pode refletir fatores como:
- desaceleração em algumas cadeias produtivas
- incremento da automação industrial
- reorganização da produção em determinados setores
Apesar da redução, a indústria permanece sendo um dos pilares do emprego formal no país.
O que esses dados significam para a economia brasileira
A diminuição da informalidade e o aumento da renda média sinalizam uma melhora progressiva na qualidade do emprego no Brasil.
Entre os impactos positivos, estão incluídos:
- maior arrecadação previdenciária
- aumento do consumo pelas famílias
- maior estabilidade financeira para os trabalhadores
- expansão do crédito e da atividade econômica
Quando mais trabalhadores conquistam renda estável e vínculos formais, o sistema econômico tende a se tornar mais previsível e sustentável.
Entretanto, especialistas alertam que o Brasil ainda conta com quase 40 milhões de trabalhadores informais, evidenciando que a formalização continua a ser um desafio estrutural.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital